A resposta curta
Registre quanto sua família realmente gasta antes de decidir quanto deveria gastar. Um registro completo oferece um total inicial, mostra quais custos são fixos ou flexíveis e capta despesas que a memória costuma esquecer. Assim, o orçamento pode se basear na realidade da sua casa, não em palpites ou médias genéricas.
Comece com evidências, não com uma meta
É tentador começar com limites ideais: tanto para o mercado, tanto para o transporte e nada para os gastos que preferiríamos esquecer. O problema é que um plano baseado em números ideais pode fracassar antes mesmo de o mês começar.
O Consumer Financial Protection Bureau dos EUA recomenda registrar os gastos por pelo menos duas semanas — e, de preferência, por um mês — antes de criar um orçamento. As orientações também dizem que o primeiro retrato deve mostrar a situação como ela é: registre quanto você gasta agora, não quanto acha que poderia ou deveria gastar. Consulte as orientações do CFPB sobre controle de gastos e avaliação dos gastos.
Essa separação importa. Primeiro vem a observação. Depois, as decisões. Você sempre pode mudar o plano, mas antes precisa de uma base confiável a partir da qual possa alterá-lo.
Quanto custa manter sua casa?
Some os custos que mantêm a vida em família funcionando: moradia, serviços básicos, mercado, transporte, saúde, cuidados com crianças e educação, seguros, obrigações de dívidas, apoio à família, itens domésticos, assinaturas e lazer habitual. Inclua as compras de todas as pessoas cujos gastos entram no total da família.
O resultado mostra os gastos atuais da sua casa, não necessariamente o custo mínimo de vida. Para entender a diferença, classifique as despesas. As orientações do Banco de Portugal para o orçamento familiar separam as despesas necessárias das discricionárias e as fixas das variáveis. A moradia pode ser necessária e fixa no curto prazo; o mercado é necessário, mas variável; refeições em restaurantes podem ser discricionárias e variáveis.
Isso oferece dois números úteis: quanto a família gasta hoje e quanto desses gastos é difícil mudar rapidamente. O segundo número está mais próximo do piso de custos em torno do qual você precisa planejar.
Um mês é uma base, não a história toda
Um mês inclui aluguel, alimentação, contas e compras rotineiras. Ainda assim, pode deixar de fora seguros anuais, custos escolares, cuidados médicos, consertos, presentes, férias e uso sazonal de energia. O CFPB recomenda revisar vários meses para encontrar esses custos menos frequentes. O portal português de educação financeira Todos Contam também recomenda uma visão anual das despesas irregulares.
Comece com um mês completo porque é algo administrável. Depois, examine recibos e extratos anteriores ou continue registrando até que os custos irregulares fiquem visíveis. Distribua os custos anuais pelos meses em que precisarão ser cobertos se mais tarde você criar um orçamento mensal.
Um método simples para registrar os gastos da família por 30 dias
- Combinem o escopo. Decidam quais pessoas e compras contam como gastos compartilhados da casa.
- Usem um único registro compartilhado. Pode ser um caderno, uma planilha, recibos, extratos ou um aplicativo de registro. A conexão bancária é opcional; o importante é que esteja completo.
- Registrem o básico. Anotem a data, o valor e a categoria de cada despesa. Incluam dinheiro vivo, contas recorrentes e compras pequenas.
- Não otimizem ainda. No primeiro mês, descrevam a realidade antes de julgá-la ou definir limites.
- Somem e revisem. Somem cada categoria e o mês inteiro. Marquem os custos como necessários ou discricionários, fixos ou variáveis e mensais ou irregulares.
Se uma pessoa paga a conta de luz e outra faz as compras de mercado, as duas precisam contribuir para o mesmo registro. Um total da família que deixa regularmente de fora os gastos de uma pessoa não consegue responder à pergunta inicial.
O que a primeira revisão deve mostrar
No fim do mês, pergunte:
- Quanto a família gastou no total?
- Quais categorias foram maiores ou menores do que o esperado?
- Quais custos fixos são difíceis de mudar rapidamente?
- Quais custos irregulares precisam de uma reserva mensal?
- A renda atual cobre os gastos atuais?
O Consumer.gov descreve o mesmo ciclo em termos simples: liste despesas e renda, registre os gastos diários, compare o resultado no fim do mês e use essas informações para planejar o mês seguinte. Seu guia para criar um orçamento é um próximo passo útil quando seu registro estiver pronto.
Depois, crie o orçamento
Agora o plano tem dados reais. Mantenha visíveis os custos necessários e fixos, decida o que mudar nas categorias flexíveis, inclua os custos irregulares e compare o total com uma renda confiável. Se o calendário semanal de contas for importante, acrescente as datas, além dos totais mensais.
Continue comparando o plano com os gastos reais. Um orçamento não é uma sentença sobre a família; é um plano de trabalho que deve mudar quando a renda, os preços ou as necessidades da família mudarem.
Conheça os limites do registro
O registro não escolhe suas prioridades, garante que você economize nem substitui a orientação financeira individual. Um mês pode ser atípico, e um registro incompleto pode induzir ao erro. Use o primeiro total como evidência, melhore-o com o tempo e procure ajuda local qualificada quando dívidas, benefícios, impostos ou outras circunstâncias pessoais exigirem.